
A “canelite”, que é chamada na forma acadêmica de periostite da tíbia, ou ainda síndrome do estresse tibial é caracterizada por dor na região anterior da perna que inicialmente ocorre durante o exercício e melhora após algumas horas, evoluindo para dor persistente mesmo com o fim da atividade, podendo dificultar até o andar de forma lenta.
É considerada uma lesão por excesso de uso (overuse), sem que haja um repouso adequado entre os treinos, bem como falta de alongamento, aquecimento e uma musculatura forte o suficiente para reduzir o impacto sobre a tíbia. Inicialmente ocorre uma inflamação no periósteo (fina camada que recobre o osso) e estruturas adjacentes como músculos e tendões da perna, podendo evoluir para micro fissuras no osso e até promover uma fratura por estresse caso o individuo não pare de correr.
Alguns fatores de risco estão relacionados à “canelite” tais como:
• Tênis inadequado.
• Pé “chato”, pé hiperpronado e a diferença de comprimento entre as pernas podem transferir estresse aumentado para tíbia.
• Superfícies muito rígidas como o concreto.
• Incremento abrupto no volume e/ou velocidade da corrida.
• Mulheres na menopausa.
• Pessoas iniciantes no esporte ou que mudaram de atividade recentemente.
• Atividade extenuante.
• Correr inclinando o tronco para frente.
O diagnóstico exato da lesão é feito pelo médico pois existem outras lesões que têm sinais e sintomas parecidos com a “canelite”. O tratamento é feito através de repouso, massagem com gelo no local, alongamento e eventualmente uso de medicamentos e recursos fisioterapêuticos para alivio da dor. O melhor mesmo em relação à “canelite” é a prevenção! Deve-se levar em consideração as seguintes medidas:
• Uso do tênis correto. Adequado ao seu tipo de pé e com amortecimento também na parte anterior. O uso de uma palmilha de silicone pode ajudar.
• Realizar séries de alongamento entre os treinos, mantenha-se sempre flexível.
• Aquecer. Informe ao seu corpo que ele será sobrecarregado. Pode-se usar meias de cano longo para ajudar no aquecimento.
• Não corra com dor nem em excesso. Respeite os sinais do corpo.
• Faça musculação. Músculos fortes diminuem o impacto sobre ossos e articulações
• Corra em superfícies adequadas.
• Faça o desaquecimento. A corrida leve ao final do treino estimula a reabsorção dos produtos de desgaste produzidos pela corrida intensa.
Segundo o professor Renato Dutra, o retorno à corrida deverá sem cauteloso. Ele cita alguns cuidados:
• conversar com o médico sobre a possibilidade de distúrbio hormonal, sendo que as mulheres estão mais propensas a lesões em que a absorção de cálcio fica prejudicada;
• retornar à corrida caminhando durante as primeiras duas semanas e somente após este período inserir intervalos de 2 a 3 minutos de corrida em intensidade leve, intercalando com blocos de caminhada rápida de 7 a 10 minutos;
• paciência para ir substituindo o tempo de caminhada por corrida, geralmente fazendo a substituição de 1 a 2 minutos de caminhada por 1 a 2 minutos de corrida leve a cada semana.
• evitar superfícies duras, como asfalto e concreto.
Em caso de dúvida, não ultrapasse seus limites, procure um profissional da área esportiva ou da saúde. Não transforme o prazer e bem estar em risco para sua saúde.
Fonte: runsports.blogspot.com, http://veja.abril.com.br/blog/saude-chegada/

